Crítica 2 | Logan

Crítica 2 | Logan

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Hugh Jackman além da Cúpula do Trovão

A fonte mais rentável dentro do cinema de entretenimento / os chamados blockbusters / atualmente são os filmes de super-heróis. No subgênero, três estúdios dominam o mercado: a Disney (dona de quase todos os personagens da Marvel), a Warner (dona de todos os personagens da DC Comics) e a Fox (que tem como carro-chefe os personagens mais populares da Marvel, os X-Men, donos de um universo próprio quase tão amplo quanto o da própria Marvel). Dos três estúdios citados, embora seja o menos lucrativo, a Fox pode ser considerado o estúdio mais influente e revolucionário.

A afirmação se deve por, primeiro, ter dado o pontapé inicial com X-Men (2000), mudando definitivamente a forma como o subgênero era percebido pelo público e crítica, fazendo surgir o que temos hoje em matéria deste tipo de cinema. E segundo, por novamente mudar o jogo, trazendo um formato para tais obras nunca anteriormente tentado. Ano passado, a Fox lançou Deadpool , filme solo de um personagem secundário do universo X, e primeiro filme maninstream do gênero a usar a censura alta, com palavrões, violência e tudo que costuma assustar o órgão que determina a adequação de público nos EUA. Foi uma aposta arriscada, mas que se fez valer, e tornou o filme citado – que ainda possui muito mais méritos próprios – um tremendo sucesso. Vendo o potencial da coisa, a Fox lança agora sua segunda produção sob tais circunstâncias.

Logan é o terceiro filme solo do mutante Wolverine, personificado pela nona vez pelo indicado ao Oscar Hugh Jackman (se tornando o ator que por mais vezes interpretou o mesmo personagem na história do cinema). Anunciado como a última investida de Jackmanno personagem (o que tenho lá minhas dúvidas), Logan é novamente dirigido por James Mangold ( Wolverine: Imortal ) e pode ser considerado o filme mais intenso dentro deste universo, seja no aspecto dramático, na visceralidade ou na forma em que retrata os personagens que viemos a conhecer e nos envolver ao longo desta jornada de 17 anos.

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Na trama, passada no ano de 2029 – que pega emprestada parte da história icônica Old Man Logan – encontramos o protagonista mais velho, mais fraco e debilitado, com seus poderes de cura oscilando, sem uma recuperação instantânea. Nesta realidade, os mutantes já foram quase todos erradicados, e os X-Men são apenas uma lenda, que deram origem a, entre outras coisas, histórias em quadrinhos. Logan ganha a vida como motorista de limusine e cuida da saúde de seu velho amigo e mentor Charles Xavier ( Patrick Stewart ), agora um idoso débil, aos 90 anos de idade, precisando ser mantido dentro de uma grande estrutura de metal, com a ajuda de medicamentos fortíssimos, para que seus poderes fora de controle não aniquilem a todos dentro de um raio de perímetro.

Desta forma, apenas esperando a morte chegar, Logan e Xavier vivem, com a ajuda do intolerante ao sol Caliban ( Stephen Merchant ), na sombra do que foram um dia. Seu passado heroico ficou para trás. Mas algo sempre está na espreita e desta vez o protagonista é aproximado pela mexicana Gabriela ( Elizabeth Rodriguez ) para que proteja sua filha Laura ( Dafne Keen ) do namorado abusivo. Logo, o mutante de garras afiadas percebe que a história não é bem assim e acaba se vendo no meio de uma disputa pela menina, que ainda envolve uma equipe de militares altamente treinados, conhecidos como Carniceiros, comandados pelo biônico Donald Pierce ( Boyd Holbrook ).

A menina Dafne Keen é a alma e espinha dorsal de Logan . No roteiro, sua personagem é o motivador que faz a trama girar. Era necessário uma atriz que justificasse a importância da personagem e Keené essa atriz. A jovem é um verdadeiro achado, seu carisma impressiona, mesclando perfeitamente a selvageria e violência implícitas na personagem conhecida como X-23, com a doçura de uma criança na faixa de seus 10 anos de idade. De veteranos como Jackmane Stewartera esperado bons desempenhos (mesmo que aqui reservem os melhores de suas carreiras nas peles dos respectivos personagens), mas quem rouba os holofotes é Keen, num inspirado debute em forma de tour de force .

Sem alarmismo, Logan é um filme do gênero super-heróis acima da média, cujo encantamento está na liberdade de poder ser o que deve ser sem restrições – como é o caso com a maioria. Sua kriptonita, no entanto, está no tempo de duração excessivamente e despropositadamente longo e no roteiro, de certa forma, simples, escrito a três mãos pelo diretor James Mangold , Scott Frank ( Wolverine: Imortal ) e Michael Green ( Lanterna Verde ), elementos que nem de longe prejudicam o resultado final. Logan pode não ser o melhor filme de super-heróis já produzido (vaga ainda ocupada por O Cavaleiro das Trevas ), mas chega para mostrar que tais filmes podem e devem ser levados a sério, estabelecendo uma nova tendência no mercado, aonde a Fox se torna novamente a pioneira, quebrando paradigmas.


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