Crítica 2 | Mulher-Maravilha – Patty Jenkins, a super-heroína salvadora da DC

Crítica 2 | Mulher-Maravilha – Patty Jenkins, a super-heroína salvadora da DC

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Feminilidade dentro e fora das telas

Existe o cinema e existe o cinema de super-heróis. O segundo vem dominando o mercado há pelo menos dez anos (para ser generoso). E tal segmento fez nascer veículos especializados não em cinema, mas em cinema para este gigantesco nicho. “DCnautas” e “Marvetes” (sim, o termo existe) exteriorizam suas paixões de forma fervorosa como nunca anteriormente – afinal, imagine discussões acaloradas sobre quadrinhos, eram só para meia dúzia. Imagine torcedores do Vasco e Flamengo brigando por seus times. É mais ou menos a mesma coisa, só que com pessoas mais novas e sem namoradas.

Nessa disputa os fãs da DC vinham perdendo claramente, já que a Marvel construiu seu universo cinematográfico ao longo de quinze filmes (contando com o recém-lançado Guardiões da Galáxia Vol.2 ) e já tem engatilhado para este ano Thor: Ragnarok (estreia em novembro) e a coprodução de Homem-Aranha: De Volta ao Lar (lançamento em julho), enquanto a rival sob a tutela da Warner amargava os fracassos de crítica Batman Vs Superman e Esquadrão Suicida , ambos de 2016.

“Bem, parece que o jogo mudou, não é mesmo queridinha?”. Essa frase poderia ser proferida por Gal Gadot , Patty Jenkins ou a própria personagem título. Mulher-Maravilha , o filme, não é só a salvação da lavoura para a DC no cinema, é responsável por inúmeras outras conquistas que tentarei argumentar aqui. A começar pelo tom, teor e estética totalmente afastados do que deveria ser a atmosfera das produções da casa. A velha máxima da fórmula Marvel, que inclui visual pra lá de colorido, tem a sua contraparte na DC, soturna, extremamente sóbria e carregada. Mulher-Maravilha não é nada disso, o que é um baita alívio e serve para mostrar que as obras podem pertencer ao mesmo universo sem serem cópias carbono em seu design.

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Outro grande mérito aqui é a direção de Patty Jenkins . A cineasta, responsável pelo filme que deu o Oscar para a musa Charlize Theron( Monster: Desejo Assassino , 2003), entrega um blockbuster enérgico, harmonioso, belo e recheado de representatividade, exatamente como todos nós queríamos.  Se formos levar em conta que esta é apenas sua segunda produção cinematográfica, o feito se torna ainda mais impressionante. Jenkins, que a certa altura esteve vinculada à direção de Thor: O Mundo Sombrio (2013), exibe segurança no comando desta produção de centenas de milhões, acertando todas as notas e inclusive as transições: ação – humor – drama.

Jenkinsacerta onde seus companheiros de estúdio ( Snydere Ayer) erram. A cineasta não se apressa no desenvolvimento de seus personagens, dando ênfase a momentos mais calmos, nos quais duas pessoas apenas conversam, expõem suas visões e são construídas. Ao mesmo tempo suas cenas de ação empolgam, mesclando o típico slow-motion das lutas, aqui realizado de forma limpa e clara, sem o uso excessivo de efeitos computadorizados, com a trilha sonora eufórica de Rupert Gregson-Williams, que rendem os já icônicos rifs de guitarra.

A história escrita a três mãos, incluindo a de Zack Snyder , é simples e sem grandes novidades, a força está mesmo nos diálogos do roteiro de Allan Heinberg . A sinopse mistura Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador , apresentando um local místico, saído diretamente da mitologia grega, no qual numa ilha povoada por amazonas, as tais mulheres se mantêm alheias ao mundo real. Com a chegada de um piloto da Primeira Guerra, as coisas mudam de figura e Diana ( Gal Gadot ), herdeira do reino e exímia guerreira, decide se aliar ao sujeito (papel de Chris Pine ) para pôr fim ao horror no mundo dos homens. Ao contrário dos filmes do Thor , por exemplo, Temiscera (o tal lugar), serve apenas como prelúdio. Mulher-Maravilha é em seu núcleo um filme de matinê, revitalizados por Indiana Jones na década de 1980, e se sai muito bem em sua proposta.

Finalizando, os louros devem ir para a protagonista Gal Gadot . A atriz israelense, que até o momento não havia capturado minha atenção (nem mesmo vivendo a mesma personagem em BVS , e sendo uma das melhores coisas de lá), esbanja carisma e nos desafia a não sermos completamente arrebatados. Gadot, até o momento, não é uma atriz dramática e sentimos certa deficiência na área, mas para a ingenuidade, honra e alívio cômico pedidos por sua Diana Prince, a israelense é a intérprete ideal. Gadoté simplesmente apaixonante no papel, além de uma tremenda badass , ao ponto de nos fazer acreditar que ninguém mais ficaria tão bem como a personagem.

Mulher-Maravilha ainda arruma tempo para levantar questões mais atuais impossíveis, necessárias e, de certa forma, indispensáveis para um filme como este, como o feminismo, por exemplo, colocando uma mulher dona de seu próprio arco dramático, e rendendo interessantes discussões quando a protagonista adentra o mundo machista dos anos 1910. Jenkinse Gadotassumem o controle do filme mais girl power do ano e podem quebrar mais paradigmas do que imaginam. Para a continuação, por favor, o jato invisível e a rodadinha na transformação. Warner, nunca te pedi nada.


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