Crítica | Além da Morte – Ellen Page e Nina Dobrev em suspense que não decola

Crítica | Além da Morte – Ellen Page e Nina Dobrev em suspense que não decola

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Novos Tempos, Filme Igual

A primeira coisa que deve ser dita deste suspense sobrenatural é que se trata da reimaginação – sim, não uma refilmagem ou sequência – da obra homônima (no Brasil intitulada Linha Mortal ) de 1990, protagonizada por Kevin Bacon, Kiefer Sutherland , Oliver Platt, William Baldwine Julia Roberts, o nome mais quente deste pacote, que no mesmo ano experimentava o prestígio de sua primeira indicação ao Oscar ( Uma Linda Mulher – dizem que Linha Mortal pegou carona neste marketing) e se tornava a maior estrela de Hollywood.

Nenhum destes personagens, porém, retorna no novo Além da Morte , apesar da presença de Sutherlandno elenco, vivendo agora um professor. Não seria muito legal se o personagem fosse de fato o Dr. Nelson, o mesmo do filme original, fazendo da produção uma tardia e não anunciada sequência? Mas, assim como no recente Caça-Fantasmas (2016), a Sony perde outra oportunidade.

O roteiro de Ben Ripley ( Contra o Tempo , 2011) repete passo a passo a história de Peter Filardi ( Jovens Bruxas , 1996), sem acrescentar muito, apenas diferentes traumas aos personagens e certa modernidade do mundo no qual vivemos hoje. O novo longa consegue inclusive ser mais moralista, já que a lição do dia é a de humildade para jovens privilegiados – o que casa muito bem com os tempos politicamente corretos.

Nada de cabelos emplumados, ombreiras, mullets, bueiros e ruas esfumaçadas e neon gritante, fazendo o novo perder pelo quesito chatice. Em sua defesa, a nova produção traz atuações mais comprometidas de seu elenco, que leva a coisa a sério e se sai bem. Outro ponto a favor é a direção do dinamarquês Niels Arden Oplev ( Os Homens que Não Amavam as Mulheres – versão sueca), especialista em traduzir temas sombrios e imprimir um bom ritmo à sua narrativa. Digam o que quiserem de Além da Morte , menos que se trata de um filme enfadonho.

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O grande problema é que o longa não possui ressonância alguma e promete, assim como o original (que não envelheceu nada bem), sair de nossas mentes bem rápido. O dilema moral é simplista e não existe realmente uma tensão aqui. Ao contrário da versão antiga que apresentava os protagonistas como pessoas  repreensíveis, donas de comportamentos deturpados, o novo mais uma vez opta pelo caminho agradável, e apresenta seus personagens como bons samaritanos prontos para o abate.

Na trama, Courtney ( Ellen Page ) é uma estudante de medicina que resolve testar os limites entre a vida e a morte. Sua motivação é descobrir como o cérebro se comporta no exato momento em que deixa de viver – mais uma diferença entre os filmes, já que no original o propósito era mais voltado a certa espiritualidade e o além vida era o enigma a ser desvendado. Para o experimento, no qual ela mesma será a cobaia, a jovem recruta quatro colegas, para trazê-la de volta à vida. Depois de concluída, um a um eles decidem se tornar alvo da experiência. O problema é que não retornam “puros” e algo começa a persegui-los.

Outra diferença de roteiro, que poderia dar ares mais refrescantes para a história, é que ao contrário do primeiro filme, estes jovens não trazem consigo apenas a “maldição”, mas voltam com habilidades adormecidas ou ativadas em seu subconsciente, como mais inteligência, memória, vigor físico e inclusive novos talentos, como tocar piano. A novidade, no entanto, logo se esvai quando o filme abandona tais ideias para não mencioná-las de novo até o desfecho.

No elenco, destacam-se a gracinha Kiersey Clemons (a Iris West dos vindouros Liga da Justiça e Flashpoint ) e Diego Luna ( Rogue One ), apesar do quinteto criar uma hegemonia de performances e química, completado por Nina Dobrev e James Norton .

Além da Morte entretém e promete deixar o espectador intrigado a cada cena, mesmo contendo momentos tirados de qualquer produção B, banhada em clichês do gênero. Apesar de não ser algo verdadeiramente especial ou novo, o longa definitivamente não merece a apatia que recebeu de grande parte da imprensa, rendendo uma média baixíssima no agregador mais famoso e odiado do mundo virtual, uma das mais baixas do ano. Boas atuações, direção segura e uma montagem enérgica, se contrapõem a um roteiro mundano, sem grande brilho, personagens de pouca expressividade e cenas nada memoráveis.

Além da Morte não passa de um gostoso chiclete para o cérebro. E você, lembra qual foi o último que mascou?


Crítica Liga da Justiça


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