Crítica | Apenas um Garoto em Nova York – Diretor de ‘(500) Dias com Ela’ segue em romance amargo

Crítica | Apenas um Garoto em Nova York – Diretor de ‘(500) Dias com Ela’ segue em romance amargo

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Mistress America

A carreira do cineasta Marc Webb enfatiza o ditado: você precisa engatinhar antes de aprender a andar. O que dirá correr. Depois de ter causado comoção entre os cinéfilos com sua estreia na deliciosa, porém amarga, comédia romântica (500) Dias com Ela , o diretor topou o desafio e partiu para encarar o blockbuster O Espetacular Homem-Aranha (2012). O resultado infelizmente foi morno, para dizer o mínimo, mas  Webbnão se deu por vencido e tentou de novo, na sequência lançada em 2014 – cuja recepção foi ainda mais ingrata. Sim, o diretor estava ainda muito verde para a tarefa.

A decepção por seus projetos megalômanos não terem dado certo, inegavelmente serviu de aprendizado para o cineasta. De pronto, ele retornou ao terreno que mais conhece e tem propriedade para falar, os relacionamentos humanos. Afinal, foi com eles que Webbentrou com o pé direito no mundo da sétima arte. Assim seguiu Um Laço de Amor (2017), com Chris Evans, lançado direto em vídeo no Brasil, e agora chega este Apenas um Garoto em Nova York , que dentro do gênero drama/romance, é sua investida mais ambiciosa. Aqui, uma boa e justificada pretensão.

Apenas um Garoto em Nova York recria certas engrenagens e tramoias amorosas que encontraríamos num filme de Woody Allen, por exemplo, sem a mesma sagacidade de roteiro e diálogos afiados. E isso não é demérito para o filme, já que poucos criam situações humanas tão inacreditáveis e ainda assim fincadas num realismo intenso como Woody Allen. Por outro lado, assinando o roteiro temos o inconsistente Allan Loeb , que por vezes entrega bons textos ( Coisas que Perdemos Pelo Caminho e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme ), mas em sua maioria possui coisas horrendas predominando em seu currículo ( Coincidências do Amor , Esposa de Mentirinha , Beleza Oculta e O Espaço Entre Nós ).

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Se serve de consolo, Apenas um Garoto em Nova York é bem melhor do que os citados pontos negativos na carreira do roteirista. Na trama, o jovem Thomas Webb (seria uma espécie de biografia não declarada do diretor ou apenas uma coincidência de sobrenomes?) ainda se encontra perdido sobre que caminho seguir profissionalmente. Seus pais (interpretados por Pierce Brosnan e Cynthia Nixon ) são ricos intelectuais socialistas vivendo numa área nobre de Nova York. Na vida pessoal, a situação não é muito melhor para o protagonista, que encontra-se apaixonado por sua melhor amiga, papel da bela Kiersey Clemons , sem que ela retribua o sentimento.

A vida de Thomas muda de verdade com a entrada de duas pessoas, causando a reviravolta nesta trama. A primeira é o vizinho vivido pelo veterano vencedor do Oscar Jeff Bridges , um misterioso escritor, que faz as vias de mentor, se tornando a voz da consciência para o rapaz. A segunda é a femme fatale Johanna, papel da ainda estonteante Kate Beckinsale (no auge de seus 44 anos) – uma das mulheres mais bonitas a pisar em Hollywood. Johanna, que teve ambas Rosamund Pike( Garota Exemplar ) e Olivia Wilde(da série Vinyl ) vinculadas ao papel, é a amante do pai de Thomas, e criará com o rapaz um triângulo amoroso doentio, que talvez só Freud explicasse.

O maior êxito de Apenas um Garoto em Nova York são as atuações deste elenco especial – um dos melhores do ano. E em primeiro lugar a “revelação” de Callum Turner , ator desconhecido do grande público, que apesar de já ter feito outros trabalhos, segura bem a liderança deste longa, recheado com um elenco tão renomado, e tem boa química com Bridgese Beckinsale. Estas são as relações primordiais aqui, e que funcionam devido ao talento do jovem carismático. Clemons, outra para a qual carisma não é problema, igualmente desempenha boa dinâmica com Callum. A menina de 23 anos, que recentemente esteve em Além da Morte e foi cortada de Liga da Justiça (no papel de Iris West), vai longe, escrevam.

Quando enfatiza relacionamentos, Apenas um Garoto em Nova York é eficiente, e sobressai ao criar trocas críveis entre dois personagens de cada vez. Acreditamos em todas as relações que envolvem o protagonista Turner, e ficamos até mesmo esperando que algumas delas fossem melhor desenvolvidas, ou que o filme focasse nelas para formular sua narrativa. Aí entra novamente o fator abraçar o mundo, e o filme descarrila para revelações rocambolescas de folhetins, somadas a um desfecho igualmente novelesco, onde tudo sempre acaba bem. Apesar dos pecados de sua resolução, o saldo aqui é positivo. Mesmo que achemos que em algum lugar perdido no meio de tudo se encontre um filme mais bem acabado, com verdadeira possibilidade de ser grande.


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