Crítica | Como se Tornar um Conquistador – comédia agradável e despretensiosa

Crítica | Como se Tornar um Conquistador – comédia agradável e despretensiosa

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Meu Sangue Latinoooo

A comédia, assim como todos os gêneros cinematográficos, precisou e evoluiu com os tempos. Desta forma, novas vertentes foram criadas, dando início a subgêneros, como os da comédia ácida, humor negro, escatologia e o escracho. Raros são os exemplos de comédias ainda confeccionadas à moda antiga, com certa ingenuidade, bom coração e quase longe da esperteza do mundo cínico atual. De vez em quando recebemos tais exemplares. É o caso deste Como se Tornar um Conquistador .

O roteiro escrito por Jon Zack ( Nota Máxima , 2004) e pelo estreante Chris Spain marca o debute na direção de longas do ator / humorista Ken Marino . Juntos, eles entregam um filme de gênero  agradável, que comenta sobre a visão do estereótipo latino, ao mesmo tempo em que narra uma história inocente de amadurecimento, cativante e identificável para o grande público.

Na trama, Maximo era apenas um menino quando precisou lidar com a morte do pai, o que interpretou como a nocividade de uma vida dedicada ao trabalho, já que o sujeito morreu num acidente de trânsito, conduzindo um grande caminhão. Desta forma, a única opção para ele foi a vida fácil. Maximo se tornou um “jogador”, usando todo o seu charme e enfatizando o sex appeal que o mundo imagina dos latinos. O objetivo do jovem Maximo é arranjar uma “coroa” endinheirada para viver confortavelmente e nunca se preocupar com trabalho.

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Dito e feito, muitos anos passam, e a vida de rei do mexicano têm um fim. Seu recomeço e crescimento pessoal têm início, no entanto, na grande reviravolta no roteiro. A jornada do protagonista será tortuosa e ele precisará se reconectar com a irmã, papel do nome mais conhecido do elenco, a mexicana Salma Hayek , a quem havia abandonado desde que adquiriu o novo status, e em especial o sobrinho, papel de Raphael Alejandro .

A estrutura de Como se Tornar um Conquistador remete à de filmes sobre a relação de um adulto com uma criança, um molde que se mostrou muito eficiente ao longo dos anos.  Um bom exemplo recente desta fórmula é Um Grande Garoto (2002), filme com Hugh Grant. Em ambos os filmes, um sujeito imaturo e sem responsabilidades irá passar por sua prova de fogo e se renovar perante sua forma de viver. A figura da criança, quase angelical, nestes casos serve como a voz da consciência adormecida, tirando o protagonista da dormência emocional e servindo-lhe de doses humanas em abundância. É o espelho do fenômeno que dizem que todo homem passa, uma vez que se torne pai.

O ator mexicano Eugenio Derbez é um celebrado artista em seu país, desempenhando funções de produtor, roteirista e diretor, além, é claro, de suas aparições frente às telas. Em Hollywood, o ator também já circula há tempos, embora se encaixe na categoria dos que não sabemos exatamente aonde vimos. Seu trabalho anterior, por exemplo, foi Sandy Wexler , produção original Netflix, protagonizada por Adam Sandler.  Derbez brinca com o tipo e entrega uma caricatura engraçada, mas por vezes beirando o exagero.

Veteranos que marcaram época em suas respectivas gerações também dão as caras, resgatados do ostracismo, e entregam performances satisfatórias, vide a musa exuberante Raquel Welch  e ,em especial,  Rob Lowe .

Apesar da boa ideia e do coração no lugar, falta uma pegada mais forte em Como se Tornar um Conquistador . Justamente esta mescla de inocência com um humor, em momentos, um pouco mais escrachado não encontra uma sintonia tão afinada. O longa deixa a desejar em sua parte dramática e não se arremessa totalmente na ardência de uma sátira corajosa. Termina como café com leite no que poderia ser uma elaborada refeição. No lado positivo, não ofende a inteligência do público, como muitas comédias descerebradas fazem, e nas notas que tenta – em especial no humor mais ousado – acerta quase todas.


Crítica | Extraordinário é extraordinário... e vai te fazer chorar litros!


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