Crítica | Escondidos – Terror dos irmãos Duffer, criadores de ‘Stranger Things’

Crítica | Escondidos – Terror dos irmãos Duffer, criadores de ‘Stranger Things’

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Ainda Existe Criatividade no Terror

Assim como em todos os gêneros, o terror vive se reinventando constantemente. E daí surgem novas vozes, cheias de vontade de falar e gritar. É o caso dos irmãos Duffer, hoje cineastas sensação devido ao fenômeno pop cultural Stranger Things , série da Netflix. Antes disso, no entanto, os diretores estreavam no cinema com seu primeiro (e único) longa, e logo de cara mostravam a que vinham.

Curiosamente, Escondidos realmente ficou escondido do grande público, chegando à luz agora, após o sucesso de seus criadores – tática antiga (segurar uma produção até algum de seus envolvidos explodir). O que ocorre é que na maioria das vezes esta estratégia é usada para filmes ruins, mas o debute de Matte Ross Duffer não necessitava de tal artifício, já que sustenta-se perfeitamente por conta própria, exibindo criatividade de poucas obras do gênero.

Lançado em 2015 nos EUA, Hidden , no título original, amargou uma estreia direto no mercado de vídeo em países como Alemanha e Suécia, e na Itália chegou somente este ano nos cinemas. Ao menos foi melhor do que aqui no Brasil, onde Escondidos também emplacou no mercado de home vídeo, estreando em 2017 na TV a cabo, na rede HBO. Não estou reclamando, sendo a única possibilidade de assistir à obra sem dúvidas é melhor do que um não lançamento . Aliás, o sistema de home vídeo brasileiro, as TVs a cabo, e os canais de streaming, estão de parabéns – é claro que as distribuidoras nacionais estudam pelo mercado internacional o que daria certo nas salas de cinema de nosso país ou não.

Recentemente, a Universal Pictures empacotou para o mercado de vídeo o sucesso Viagem das Garotas , prestigiado pela crítica e público nos EUA – que apesar de ser uma comédia escrachada (gênero para o qual o brasileiro tem apetite voraz), rendeu o prêmio de melhor coadjuvante do ano, segundo a crítica de Nova York, para Tiffany Hadddish; e terminou lançando nos cinemas o fiasco Boneco de Neve . Não estou dizendo que acertem sempre. É mais ou menos o que a Warner faz com Escondidos , terror dramático com potencial de muitos elogios, se ao menos fosse tirado das sombras.

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A trama digna de Shyamalan, começa com uma família, pai, mãe e filha, interpretados por Alexander Skarsgard, Andrea Riseborough e a pequena Emily Alyn Lind respectivamente, enclausurados num bunker . No imenso depósito no subsolo, assim como os moradores rurais de A Vila (2004), eles conhecem muito bem a lenda de criaturas que permeiam a superfície e o quão mortais são. Dessa forma, esta família precisa viver respeitando uma lista de regras, entre elas a principal é: nunca fazer muito barulho. Escondidos é um filme que conta com um elenco reduzido, praticamente os três membros da família, e um único local, ao qual estão confinados.

Assim como nas obras do celebrado cineasta indiano, a estrela de Escondidos é seu roteiro. O texto guarda uma das reviravoltas mais inteligentes e inesperadas dentro do cinema de gênero dos últimos tempos. O fato se torna ainda mais louvável se levarmos em conta que vivemos numa era onde quase tudo já foi tentado e muito pouco ainda nos surpreende no terreno “desfechos inesperados”. Justamente por isso, para respeitar o preciso texto dos irmãos cineastas, quanto menos da trama for dito aqui, melhor. Vale dizer apenas que, assim como as obras do diretor de Fragmentado (2017), Escondidos nos chama a revisitá-lo após seu término, para juntarmos todas as peças, como num elaborado quebra-cabeça. E acredite, tudo se encaixa.

O clima construído pelos Dufferé o primordial aqui. A sensação de clausura, a paranoia e o medo são enfatizados como em poucas obras na atualidade. Dá para perceber que os diretores são adeptos da filosofia de que menos é mais. Muito mais perturbador que pulos e gritos na frente das câmeras, ter uma boa ideia na hora de confeccionar um filme de gênero ainda é o item mais necessário e satisfatório. O roteiro verdadeiramente primoroso, do nível de O Predestinado (2014), para termos uma ideia, subverte tudo o que havíamos traçado como certo até então, dá um nó em nossas mentes e nos faz redesenhar passo a passo o apresentado. De fato, Escondidos é tão bem sucedido que consegue dar sopro de frescor e adicionar elementos pouco vistos dentro de um subgênero específico. O filme só desperta nossa vontade de que os diretores voltem a fazer filmes. Isso é, quando acabarem com Stranger Things .

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